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Antigo 29-09-2008, 4:10
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Exclamation ERA UMA VEZ...a nossa História.

ERA UMA VEZ...a nossa História.

Qualquer Estória que se preze tem que começar assim. Claro que, no nosso caso, a narração deveria começar a ser escrita na língua Alemã e não na Portuguesa. Porque é da Alemanha mais intrincada que nós vamos agora tratar. Em boa verdade, para quem conseguiu cá chegar (os sítios recônditos não são fáceis de achar) já deve estar com a garganta arranhada de tanto pronunciar o nome do nosso Café. Em jeito de Boas-vindas, convém retroagir ao momento que esteve na origem disto tudo. Que é como quem diz, o que terá levado um grupo de portugueses a viajar para a Alemanha, munidos de uma mochila com material arqueológico, mapas, documentos e até capacetes com lanternas na cabeça?
Pois bem, não vou responder já a esta pergunta para não estragar o suspense.
Estes "Indiana Jones" de trazer por casa, mal desembarcaram em “Stuttgart” perguntaram imediatamente ao primeiro autóctone onde ficava a Rua do Porsche. Qual Rua da Porsche?? Perguntaram-nos. A Porschestraße?
Nós olhamos uns para os outros e começamos a rir baixinho. Estes alemães não percebem mesmo nada disto. Nem sequer sabem a diferença entre a Rua do Porsche e a Rua da Porsche! Qual Porschestraße, qual carapuça! A Porschestraße é para os turistas, nós viemos visitar o primeiro escritório do Ferdinand Porsche. Muito antes de ser criada a Porsche. Nós viemos ver onde tudo começou. Viemos ao "ground zero" da Porsche. O local do Big-bang. Viemos em peregrinação ao local onde foi criado o Universo.
A morada: Kronenstraße. O NÚMERO DA PORTA: 24. O nome do Edifício: "Ulrich". Foi aqui que, no dia 1 de Dezembro de 1930, Ferdinand Porsche abriu pela primeira vez as portas ao público. A 25 de Abril do ano seguinte o Registo Mercantil de Estugarda conferiu-lhe dignidade ao nome: "Porsche Konstruktionsburo fur Motoren-Fahrzeug-Luftfahrzeug und Wasserfahrzeugbau".
A empresa era uma espécie de laboratório do Professor Pardal. A invenção, aplicada a todo o tipo de veículos imaginários, era o pão nosso de cada dia. E tanto fazia que fossem para o ar, para o chão ou para a água. Foi este local mítico que nos propusemos descobrir.
Aceleramos o passo em direcção à Kronenstraße. De certeza que deve estar tudo impecável, apostamos que íamos encontrar uma imponente placa a dizer “Foi aqui que tudo começou para Ferdinand Porsche”.

Foto: O carro teste do NSU Type 32 estacionado à porta do N.º 24 da Kronenstrasse. Reparem na placa da porta. No início a Porsche ocupava dois pisos, sendo que o primeiro andar era partilhado com outra empresa: a “Schmidt & Clemens”.

Foto: No Gabinete de Engenharia de Ferdinand Porsche criaram-se objectos de culto. Da Auto-Union à Volkswagen. Na foto da esquerda, novamente a Kronenstrasse. Na foto do meio, no estirador, vemos o projecto do Type 60. Á direita conseguimos ver um dos primeiros modelos à escala construídos pelo Ferdinand Porsche.

Foto:


Número 14, número, 16, número 18, número 20...número...22.......
Chegamos. Número 24. Paramos, e levantamos as cabeças em direcção ao céu, que é como quem diz, em direcção ao Edifício "High Tech" que se erguia à nossa frente. Voltamos a olhar uns para os outros, mas agora entreolhando-nos. Mas que raio....o que é isto? À nossa frente, em vez de uma placa a dizer “Ferdinand Porsche” encontramos uma que dizia: BRÄUTIGAM & KRÄMER GMBH & CO.KG. De Porsche, nem sinal. O edifício era ultra moderno e a placa era recente. Pelo menos era a cores, um luxo que nos anos 30 não existia. A BRÄUTIGAM & KRÄMER GMBH & CO.KG, que actualmente ocupa os antigos escritórios da Porsche e mais alguns ao lado é uma espécie de Imobiliária de luxo. Vende imóveis caros por toda a Alemanha. Uma espécie de Remax para ricos. Claro que, percebendo eles de imobiliária, não foram burros nenhuns ao ocuparem território sagrado. Pelo menos para nós. Para eles, pelos vistos, nem tanto.

Arriscamos subir. Fomos recebidos por uma Frauqualquer coisa de nome Sabine Wehling que, muito gentilmente, nos disse que ali apenas se tratava da compra e venda de propriedades ou imóveis. Passou-nos para a mão um catálogo físico equivalente ao que eles têm online (http://www.colliers-bk.de/22.1?options[object_type]=7). Dissemos-lhe que não estávamos interessados. Que tínhamos vindo de longe, mas pela Porsche. Não era nossa intenção adquirir qualquer imóvel. E saímos. Tristes e cabisbaixos. Que diabo, não temos remédio e lá vamos ter mesmo que visitar a Porschestrasse. Estavamos "quase quase" a transpor a enorme e moderna porta da saída daquelas instalações quando ouvimos a voz esganiçada da Sabine a dizer: “E se o imóvel tiver pertencido à Porsche?
Gelamos os passos. Seguramos a porta. Pertencido à Porsche? Hei lá! Isso já poderá interessar. A nossa curiosidade tinha sido espicaçada. Metemos marcha atrás e fomos ver do que é que se tratava. É que, não é todos os dias que aparecem imóveis da Porsche para venda.
A menina chamou um colega de nome Klaus, segredou-lhe qualquer coisa em alemão que não conseguimos perceber, e o rapaz, acto contínuo, subiu a um mini escadote, abriu uma pequena portada do alto de um armário e tirou de lá um dossier empoeirado. Desceu a escada, bufou na capa e uma enorme nuvem de poeira entorpeceu-nos a visão. Deu um espirro, virou-se para nós e disse: "É um café velho, fechado há muitos anos, aqui já á beira". E mostrou-nos esta imagem:

O LEHRENKRAUS CAFÉ
Este café, situava-se a um quarteirão do "Edifício Ulrich" e era pertença da mãe da Dorothea Reitz. Esta mulher, que ficou conhecida por “Dodo” foi a mulher que veio a casar com Ferry Porsche. Não foi no entanto no Lehrenkraus café que Ferry Porsche a conheceu. O facto de o café da mãe de Dodo estar perto do gabinete que o seu pai abriu foi uma feliz coincidência. É que, Ferry Porsche, conheceu Dodo, por casualidade num corredor da Daimler Benz, alguns anos antes. Vão casar em 1935, 4 anos e meio após a abertura do gabinete da Kronenstrasse.
A áurea mística do Café e a sua ligação à Porsche não está apenas no facto de ter pertencido à família de Dodo. O que sucedeu, foi que, certo dia, Josef Mickl o grande especialista da aerodinámica da Porsche, descobriu que as mesas daquele Café (que tinham uma forma estranhamente larga) funcionavam melhor que os Estiradores do Gabinete da Kronenstrasse 24.
Ora, rapidamente a notícia se espalhou, e a pouco e pouco começaram a “abancar” no Lehrenkraus Café Karl Rabe, Karl Fröhlich, Josef Kales, Josef Zahradnik, Erwin Komenda, Franz Xaver Reimspiess, e claro, o próprio Ferdinand Anton Ernst (Ferry). O Lehrenkraus Café, transformou-se assim numa extensão da “Porsche Konstruktionsburo”. Era um local, sóbrio, coberto pelo fumo dos cigarros e a cheirar a café e a cerveja. E era o local de escelência onde os Engenheiros do Porsche (e não da Porsche) trabalhavam afincadamente, ao mesmo tempo que desenvolviam animadas tertúlias.
Foto: o interior do Café Lehrenkraus:

Foto: as mesas largas que serviam para estender as folhas dos Projectos:

Foto: Dodo Porsche. O anúncio da sua morte em 1985. Em baixo, as duas primeiras fotografias tipo-passe, são de Dodo ao tempo em que frequentava o Café Lehrenkraus:

A SARDINHADA


Adquirido o café pelos "tugas", restauradas as mesas e arejado o espaço, foi preciso encontrar uma nova referência. Era preciso uma mascote, e apareceu a SARDINHA.
Apesar de não ser um animal com a estrutura e a imponência do cavalo de Estugarda, esse garanhão de quatro patas e crina tesa, a Sardinha Portuguesa não lhe fica nada a dever. Desde logo porque costuma encher de felicidade um povo inteiro, gastronomicamente falando. Só por este facto, já se justificaria a sua colocação no nosso escudo do Café. Mas não é por isso que ela lá está. A Sardinha foi escolhida porque, por incrível que pareça, teve uma ligação a Ferdinand Porsche e à sua empresa: a Porsche.
A história da Sardinha é das coisas mais interessantes da História da Porsche em Portugal. E que ninguém sabe, infelizmente. Foi revelada pelo próprio Ferry Porsche, como sendo a proposta comercial mais caricata da história da marca. E foi divulgada pelo Richard von Frankenberg. E reza mais ou menos assim: Mal aparecem os primeiros resultados em Gmund, quando os primeiros carros começam a ficar prontos, Ferry Porsche apenas procura vendê-los para os países não beligerantes. A aposta comercial da Porsche foi totalmente racional. O carro não era barato e a estratégia comercial de arranque foi a de nem sequer perder tempo com os países que estavam a erguer-se das cinzas. Os mercados a apostar eram o da Suíça, o de Portugal, o da Holanda e da Suécia. Foi enviada uma proposta directamente ao Ministério da Indústria. O desafio que foi lançado era o de saber se haveria interesse em comercializar os carros desportivos da Porsche em Portugal. A resposta portuguesa foi genial: "estamos sim senhor. Só precisamos de saber três coisas. Quantos carros querem para cá mandar. Quanto é que valem esses carros. E se aceitam que se envie o preço correspondente em fornecimento de Sardinhas".
A Porsche ficou fascinada com esta postura tão tipicamente portuguesa de trocar o marisco pelos tremoços. Como é óbvio a proposta portuguesa foi rejeitada, mas a piada nunca foi esquecida pela família Porsche.
Uma história destas não merece ser esquecida. Daí a nossa homenagem á Porsche...através da Sardinha.

O LOGO DO CAFÉ
A Porsche entendeu que o célebre Logótipo do Escudo tinha sido criado através de um esquiço num guardanapo de papel. Claro que o nosso também teria que nascer dessa forma. Primeiro porque nos Cafés só existem mesmo guardanapos de papel. Em segundo lugar, não queríamos fugir á tradição da casa.
Foto: o primeiro estudo feito num guardanapo. Se a Porsche tem...

Foto: nós também temos...

Foto: a primeira representação gráfica:

Foto: alguma da evolução:

Todas estas memórias, do “CAFÉ” à “SARDINHA” foram deliberadamente apagadas da História da Porsche. Através do "borrão" gigante que está escondido no sótão da Werk 1 em Zuffenhausen. O gabinete da Kronenstrasse desapareceu e o café foi encerrado. Colocaram-lhe umas tábuas pregadas nas janelas e nas portas, e assim ficou. Fechado, desde décadas sem ver a luz. Lá dentro, é ainda possível encontrar vestígios da passagem dos engenheiros da Porsche. Pequenas folhas amarrotadas com estranhos rabiscos de veículos com rodas e motores com ventoínhas. O Café esteve fechado ininterruptamente durante décadas. Até hoje. Por mero acaso, o destino levou este pequeno grupo de amigos a encontrar um imóvel que os próprios Alemão desconhecem.
Não podíamos contrariar um desígnio superior. Compramos o café. Descravamos as tábuas e o que apareceu é isto que hoje aqui está á vossa frente.
O Café está de novo a funcionar, para expormos nas mesas largas, os nossos Projectos pessoais que a engenharia da vida nos criou, e também, porque não, para nos animarmos em amenas cavaqueiras – um local de diversão Porsche: a nossa “Porscheland”.
Este local não é fácil de encontrar. Mesmo para quem usa o “GOOGLE” como GPS virtual, vai sentir alguma dificuldade em cá chegar. Mas no dia em que o conseguir encontrar, vai transpor a porta e vai ver que aqueles que cá estão, são pessoas que vale muito a pena conhecer.
__________________
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